quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Estalinho, estalão!


Precisar de uma grande decepção ou da confirmação da inutilidade da quebra de um paradigma é muitas vezes combustível necessário para o surgimento de um caminho verdadeiro.

Sempre encarei momentos assim com a dedicação de alguém que sabe onde quer chegar e que propõe a si mesmo não se tornar caricatura fácil e efusiva somente pelo prêmio de uma falsa aceitação.

Muito complicado ou subjetivo?!

Pois bem, dou uma mastigada com classe:

Quantas vezes você foi contra algo que considerava certo em busca de crescimento, experiência ou boa ventura simplesmente pelo desejo de ser alguém melhor ou de dar a si mesmo a oportunidade de sentir-se enganado uma vez ?

Aquela comida com cara de pneu, o trabalho com ares de "empresalóidismo bajulatório" , a menina temperamental sem tempero, o neologismo preguiçoso...

Todos merecem a desgustação quando se quer arriscar e podem sim serem capazes de surpreender o mais cético dos ranzinzas; para o bem ou para o mal.

Mas...

A comida feia pode sim ser horrível, o trabalho babaca tem chances de ser altamente desprezível, a menina a quem se confia os riscos de um amor não necessariamente será digna de boas lembranças e, provavelmente, a preguiça dependerá de sorte para ser considerada brilhante.

Se sentir confortável ou empolgadinho demais com tais tentativas só torna o acaso mais constrangedor perante a possível futura broxada, contribuindo assim para uma tempestade de neuroses e traumas desnecessários em uma vida que exige cada vez mais dedicação aos raros minutos proveitosos.

O doce de tudo isso é saber que os calos podem ser aliados e fortalecer ainda mais convicções antes apontadas como caretas demais por quem não pensa como você.

Morda a gororoba ou a menina com o tesão que quiser, mas lembre-se sempre que o sal de fruta pentelho pode ser providencial...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Canto da Poeusia Anônima


Sem cheiro

Calma constante só alimenta a alma
se tudo fossem flores era o amor quem murchava

Se tudo fossem flores qual o perfume?
e a graça?

vivo assim,
bem só com a alma lavada
- sem cheiro -.

O vento só leva o aroma que transborda,
que estiver em excesso

O trato é não forçar,
deixa o exagero e o destempero pro lado de lá

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Puta petulância

Estava a assistir no aconchego de meu cafofo quadriculado a edição do debate comandado pelo Lobão na MTV, confesso que sempre que é possível dou uma conferida no que lá se passa.

o mundo pegando pesado com o tal do politicamente correto era a pauta sugerida, declaradamente pegando carona na polêmica causada por um recente comentário feito pelo humorista Danilo Gentilli em seu twitter .

http: www.twitter.com/DaniloGentili/status/2847583400

De um lado dois representantes de minorias – gays e negros - e um advogado falador que passava mal, do outros humoristas da blogsfera inconformados com a forma como o mundo e as pessoas encaram certas declarações ultimamente.

A turma da patrulha do “bom senso” alegava a inexistência de limite entre o preconceito e uma anedota nascida apenas para caçoar , inclusive do preconceito tupiniquim tão velado.

Neste debate não fico em cima do muro:

Sempre preferi a turma do escracho, sou totalmente a favor da ferramenta que o humor pode ser para, por exemplo, aproximar as pessoas e concluo que não exista melhor artifício em várias outras situações, mas o problema é que isso depende exclusivamente do quão as partes envolvidas na piada ou no “insight” se levem a sério.

Se levar muito a sério em coisas idiotas é bem mais idiota do que ser o “idiota” que conta as piadas na mesa.

Concordo que se não for bem dosada uma piada recorrente pode se tornar ofensiva, mas essa regra se aplica muito mais pela repetição da mesma do que pela teórica afronta a igualdade de direitos e/ou concordância com as fobias do nosso mundo cão.

Não tenho pretensão de desenvolver aqui tese elaborada sobre situações que me levam a crer que o mundo está muito viadinho ¹, com toda hipocrisia apontada para o humor negro ² que independente do alvo acaba agradando a grande maioria, independente da postura adotada em publico ou do nível de baixo estima³.


¹ : nada contra pessoas com tendências homoeróticas

² : nada contra afrodescendentes

³ : nada contra – "sadomasôs maníacos depressivos"


Quem nunca riu de uma piada de humor negro ou que fazia referência a uma característica individual de uma determinada raça, condição física ou sexual que se mate, pois com certeza se levará mais a sério do que sua existência permite e não terá o prazer de rir de si mesmo.