domingo, 26 de dezembro de 2010

Felicidade em oferta


As mais belas pessoas que conheço são as que dançam, as que bailam a vida sem lamúrias, sabendo que ser feliz é sim questão opcional.


Quantas vezes você já sorriu para, depois de pouquíssimo tempo, ter a sensação de ter forçado simpatia consigo mesmo em troca do direito de dizer que é feliz?!


O problema não é a alegria descabida marujos!


A vida é muito boa e os sorrisos são sempre a cereja no bolo, tê-los como companhia é sempre recompensador, nem o mais turrão pode desdenhar dessa afirmação.


Mas sorrisos traduzem alegria, sentir-se feliz é algo mais sublime. A alegria é passageira, a felicidade é condutora.


Os mais alegres que conheço vez por outra se dizem infelizes, já os com mais motivos teóricos para sorrir costumam fazer questão de sustentar o tal bico de insatisfação.


Dinheiro, amor, profissão, time de futebol, trabalhos de faculdade...


Não há motivo único que condicione a felicidade de um ser tão complexo quanto o ser humano; nenhuma tabela periódica que descreva os elementos necessários para a fórmula da felicidade: ser humano vai além de fórmulas ou receitas e cada um de nós sabe como isso funciona na prática.


Desse modo até os sorrisos podem não dizer muita coisa ou ao menos não tudo.


O caso é que ainda há quem queira sempre mais e não largue a rapadura até quebrar toda a dentadura, e só ao se olhar no espelho percebe o quanto pôde ser feliz enquanto tinha tudo em mãos para agora só lamentar ter preferido o capricho de se demonstrar feliz aos olhos alheios.


Nessa hora os sorrisos viram a pechincha da felicidade e acabam por dar razão ao ditado que diz que em determinadas ofertas o barato pode sair bem caro...




sábado, 20 de novembro de 2010

Apertem os cintos o piloto quase sumiu!


Na tripulação do AeroCaxola só se dá bem quem não amola...


Só senti a vida chegar realmente quando percebi os detalhes dos meus desejos.


Antes disso, só um piloto automático ligado nos 220 e etilicamente incapaz da condução do AeroCaxola.


No painel de controle, muitos botões, mas só os do “foda-se” e o do “deixa passar” continuavam acionados pelo desleixo do capitão displicente.


Mas se liga tripulação!


Era tudo alegria, mas não era tudo nosso...


Muita farra gera muita turbulência e como a legião de bicudos sempre fez questão de alarmar, algo poderia sair do controle a qualquer momento.


Como se fosse detalhe banal do plano de vôo, o cotovelo no manche não tardou a esbarrar em toda aquela variedade de botões.


Em pouco tempo e em meio a tantas luzes e cores diferentes, o que predominava ao olhos do controle era o vermelho-alerta a piscar sobre a imensa paleta do painel.


Como o desespero faz parte de quem não se sente preparado todos os ocupantes se puseram a garantir a sua segurança entre os assentos.


O Responsável passava garantia a máscara de gás, precavendo-se assim de maiores problemas, já Sra. Enxaqueca e sua característca tensão bolavam teorias sobre a má vontade alheia em parceria com Tony Ranzinza, seu fiel escudeiro de sangue latino.


Todos buscavam seu espaço e vez por outra assumiam o comando da algazarra na cabine do piloto.


Enquanto isso o comandante apenas vagava a cantarolar, observando cada um dos tipos que por tanto tempo conduzira aos céus sem saber ao certo os limites e desejos de cada um.


Inocentes como o menino que acreditava na vida de seu pingüim de pelúcia até a fúria sem causa de cada um dos da gangue de moicanos que anarquizavam ainda mais os corredores tomados pelo fuzuê a 9 mil pés.


Foi junto com o fim de sua fiel garrafa que Capitão teve a visão dos fatos simplificada; tudo ali precisava de um comando e todos desejam voz ouvida em decisões de futuras rotas.


Maneirar na lisergia poderia ser chato, mas era preciso voltar à cabine naquele momento, deixar a zona arrumadinha e ter histórias mais proveitosas a se contar nas próximas aterrissagens.



Capitão que se preze navega sozinho, mas não abandona o barco, avião, charrete, patinete...

www.aerocaxola.blogspot.com

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sem gelo, por favor

Apague o cigarro, pare um minuto de criticar a roupa da colega de sala ou simplesmente tente entender por boa vontade.


Depois de chegar nos 20 e poucos anos as coisas ficam bem diferentes .


Os ensinamentos da adolescência junto à rotina das responsabilidades parecem nos jogar nas velhas forminhas de gelo guardadas em qualquer congelador que se preze; para sair só com um baita choque térmico e um tremendo susto nas estruturas.


Tudo soa tão frio e encaixado que qualquer possibilidade de participar de um belo e saboroso drink é trocada pela afável companhia dos cubinhos ajeitados.


Oka, oka, a vida cobra algumas mudanças e não dá para sustentar por muito tempo a atitude róqui in roul que enfeita os bons tempos de despreocupação e que faz de cada um de nós um James Dean em potencial.



Mas péra lá! O day after da alegria total tem de ser sempre a ressaca moral?!



As pessoas que vejo hoje são bem diferentes daquelas que conheci em tempos menos responsáveis.


Em algum ponto dessa história foram tomadas pelos pudores, expectativas e comportamentos impostos por quem acha que padronizar é sempre a saída. Em alguma encruzilhada da caminhada se tornaram apenas mais um despachinho nesse mundo cão, tão pálidos que nem Exú aceita!


O lero da revoltinha contra o sistema e o clássico “vâmo botá pra fudê” sempre vão fazer parte da minha retórica retrógrada, mas não falo disso. Falo basicamente do quão covarde podemos ser.


Já vi nêgo artista trocar o spray pela gravata só pra estar ali no meio da muvuca dos conformados e já vi engravatado brincando de ser puro porque os conformados sempre bancarão desfrutes como esse.



Parou! Parou! Parou! Sacou a piada infame?



Não adianta aceitar o karma, se jogar lá pelos lados dos iceberg´s em busca de trabalho, aceitando gente que acha que entende das complicações de uma vida tipicamente suburbana e brasileira e que tráz consigo soluções interessantes para o bem-estar alheio.


Escrevo e vivo para os meus, por vivência ou coração, e em cada documento maculado aqui no Word tudo que me interessa é dizer que não adianta!


Não é guerra de classes, nem uma cruzada contra os malvados do vintém, a crise toda só começa quando você não se sente bem consigo mesmo e dá o braço a torcer ao que dizem lhe fazer bem.


Afinal, um pouquinho de gelo na forma todo mundo tem, eu, você e o seu patrão também, mas para e pensa no que lhe convém, sem fazer escarcéu e sem limitar o “além”.


Ai sim, depois de ter tempo necessário para reparar nas rimas, e na levada, da vida é que qualquer escolha se tornará a receita do seu drink.


Sem crise hermano, o barco às vezes vira e a maré pode fazer de qualquer canoa furada um iate caprichado, só não se afogue na ideia de que só existe um caminho a seguir.



A fonte que faz o mar grande todo feito para navegar

mesma que entre formas pequenas se permite congelar...